Por Laís Paulo*
Breve Biografia
Karl Marx nasceu em Trier em 05 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883 foi filósofo, historiador, economista e jornalista. Deixou-nos numerosas obras, dentre elas, “Manuscritos Econômico-Filosóficos”, “O Capital”, “Contribuição à crítica econômica” e outras, e sua parceria com Engels que resultou “A Sagrada Família”, “A Ideologia Alemã” e o “Manifesto do Partido Comunista”. Segundo o próprio Engels, as duas grandes descobertas de Marx foram: a concepção de materialismo histórico e a teoria da mais-valia (qual retratarei neste texto). Karl Marx foi também ativista político, fundou e dirigiu a Associação Operária Internacional – a primeira do gênero – de 1867 a 1873.
Marx e suas influências
Marx observou a sociedade, interpretou e descreveu. Para isso houve uma série de influências, o que quero dizer, por exemplo, é que ele não inventou o socialismo, mas estudou o socialismo utópico os franceses Saint Simon e Fourier e o idealizou em socialismo cientifico; inverteu a dialética hegeliana, colocando-a de ponta a pé, enquanto Hegel aplicava o movimento dialético ao processo de pensamento, Marx o remete ao mundo da história real e concreta: a das necessidades econômicas e sociais, dos seres humanos. Desta forma, as idéias marxistas sofreram influências das principais correntes de pensamento de sua época, desde a economia liberal de Adam Smith à dialética de Hegel.
Materialismo Dialético
Como disse anteriormente, para Marx, o processo dialético se dá de acordo com as necessidades dos humanos.
Marx utilizou da dialética para explicar as mudanças e acontecimentos na história da humanidade ao longo dos tempos. A dialética é a lei do desenvolvimento da realidade histórica, e através dela é possível estudar um fato histórico, encontrar o elemento responsável pela sua transformação num novo fato, dando continuidade ao processo da história. Assim sendo, a dialética exprime a inevitabilidade da passagem da sociedade capitalista para a comunista.
Materialismo Histórico
O materialismo histórico é a teoria no qual a estrutura econômica determina as outras estruturas, é a base material ou econômica (infraestrutura) que exerce influência direta nas instituições jurídicas, políticas (leis, o Estado) e nas ideológicas (artes, educação, religião, moral) - o que denominou de superestrutura -, em outras palavras a superestrutura se adapta ao modo de vida econômico da sociedade, o ser econômico determina o ser social, ou ainda: “Não é a consciência dos homens que determina o se ser, mas é, ao contrário, seu ser social que determina sua consciência” (Karl Marx, em Prefácio a “Para a crítica da economia política”).
Teoria da mais-valia
A teoria da mais-valia é um dos conceitos fundamentais da economia marxista e um eixo importantíssimo na construção teórica de Marx.
Segundo ele, “O valor da força de trabalho é o valor dos meios de subsistência necessárias para a conservação do possuidor da força de trabalho”, a força de trabalho é o próprio trabalho e pertence ao trabalhador/a, já o produto do trabalho é propriedade do capitalista e não de quem o produz (trabalhador/a), ora se o/a proletário/a trabalha oito horas diária e em quatro horas produz o tanto para cobrir o quanto o capitalista despende para o seu salário, o produto das outras quatro horas é o valor que o capitalista se apropria. Esse valor que passa para o bolso do capitalista é a mais-valia, logo a mais-valia é o excedente do trabalho, é o lucro real que existe na “sobra” (excedente) da mão-de-obra que o industrial investirá na sua indústria, assim a indústria crescerá cada vez mais, acumulando a riqueza que é deixada pela classe operária.
Para Marx, a única solução para sair desse círculo no qual só o industrial agrega lucros e o operariado é explorado é preciso que haja a revolução das massas, em que a classe operária, unida, irá derrubar essa lógica contraditória, desigual e pervessa do capital.
Marx no Serviço Social
Há quem atribua características negativas ao Serviço Social e o aponte como profissão de práticas e políticas assistencialistas, talvez a denominação transmita um equivoco de significados, para estes/as indico as obras de Marilda Vilela Iamamoto, Maria Lúcia Martinelli, José Paulo Netto, Carvalho e tantas outras (os) teóricas (os) do Movimento de Reconceituação do Serviço Social.
Após a II Guerra Mundial os países capitalistas lançaram estratégias em defesa do capitalismo, pois temiam a expansão do socialismo, visto que havia a construção do bloco socialista representado pela União Soviética. Uma dessas estratégias foi a implantação de empresas norte-americanas e européias na América Latina. Assim sendo, uma parte da burguesia local (aliada aos EUA) era a favor do capital internacional e a outra defendia o nacionalismo, isso provocou uma crise na burguesia, sendo que a parte da burguesia atrelada aos estadunidenses resolveu a crise com o golpe de 1º de abril de 1964, o golpe militar, que em apoio à concentração do capital proibiu o sindicalismo e agravou a exploração do/a trabalhador/a.
Com a erosão da base do Serviço Social tradicional iniciou a renovação do Serviço Social brasileiro que se deu em três perspectivas: a modernizadora baseada na teoria positivista; a de renovação do conservadorismo baseada na teoria fenomenológica; e a de intenção de ruptura baseada no marxismo. Aconselho a leitura de todas as perspectivas, mas falarei um pouco sobre a terceira.
Perspectiva da Intenção de Ruptura :
Surge com a proposta de romper as práticas tradicionais do Serviço Social, vinculadas aos interesses da classe dominante, discute a relação entre a profissão e a sociedade capitalista. Foi manifestada no âmbito dos movimentos democráticos e das classes exploradas e subalternas (inicio dos anos de 1960) quando “ [...] O Serviço Social – de forma visível, pela primeira vez- vulnerabilizava-se a vontades sociais (de classe) que indicavam a criação, no marco profissional, de núcleos capazes de intervir no sentido de vinculá-lo a projeções societárias pertinentes às classes exploradoras e subalternas. (Netto, 2006, p.256) Portanto, assistentes sociais que optaram politicamente de trabalhar em favor dos explorados e subalternos conceberam as primeiras idéias de intenção de ruptura das práticas tradicionais, uma vez que é preciso lembrar que o objeto de trabalho do Serviço Social é a questão
social (resultante das relações de conflito entre capital x trabalho que se manifesta em suas múltiplas expressões: desemprego, violência, fome, discriminação e etc.), e agora as/os profissionais optaram em atuar em prol dos trabalhadores/as (segundo Iamamoto trabalhador/a é tanto quem está empregado/o e desempregado/a), baseando-se na teoria marxista.
Vale ressaltar que essa perspectiva se propagou no período de crise da ditadura, originando produções teóricas voltadas para as questões do continente latino-americano, rompendo com práticas profissionais, aumentando a participação política de assistentes sociais nos movimentos sociais, sindicalistas e partidários, porém o movimento de reconceituação do S. Social (quesurge no âmbito da academia sendo protagonizado por estudantes-militantes, docentes e abrangendo a categoria de assistentes sociais) foi desfeito pelas ditaduras burguesas e por divergências no próprio grupo de assistentes sociais. Assim sendo, hoje existem ainda as três perspectivas, de modo que há docentes que encaminham seus projetos conservadores e profissionais com práticas atreladas á tendência de renovação do conservadorismo; portanto o projeto ético-político-profissional hegemônico fundamenta-se na teoria marxiana e marxista, se materializando no código de ética profissional (1993) que norteia o pensar e o fazer profissional da(o) assistente social.
P.S: Bem, gente esse é só um texto principiante, quem quiser se aprofundar leiam:
Manifesto Comunista; e Serviço Social na Contemporaneidade de Marilda Vilela Iamamoto.
* Laís Paulo é estudante de Serviço Social, 1º Semestre.