quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Desabafo!

Hoje tive vários pesadelos, mas acordei a tempo de impedir que o medo e o desespero tomassem conta de mim. Dentre precepções e outras me vejo trancada nesse quarto, entre quatros paredes, em silêncio, sozinha, já tendo dificuldades pra respirar... Foi então que percebi que a situação em que encontra-se minha vida emocional não é tão diferente de como acordei nessa manhã.
O fato é que decidir sempre foi uma tarefa muito árdua pra minha alma, porém o tempo passsa (ou), a paciência acaba (ou) e muitas decisões, apesar de difíceis, acenam com a perspectiva de alívio, o que facilita muito encará-las. Pronto. É alívio que me falta, é coragem e verdade que me faltam n'alma para que eu possa desfazer com as omissões e supostas mentiras, para que eu possa sentr-me livre e sem dificuldades pra respirar.
A saudade de outrora e um sentimento de mudança me invadem, e eu já me perco entre esses espaços e teclas e tela. Não é apenas nostalgia, mas em outros tempos fui mais tranquila, mais segura! Eu quero mesmo ficar bem, eu quero mesmo é que o medo e o desespero não tomem conta de mim, de nós... Eu quero enterrar o hoje, lembrar do ontem e viver o esperançoso amanhã. Acordar, e ainda que seja penumbra, ter a certeza de que está tudo bem, tudo bem.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

...

"Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, está tudo bem."

C. F. Abreu

domingo, 13 de dezembro de 2009

Silêncios Falados

A necessidade de escrever é grande, já que pouco me manifesto em falas, pouco falo de mim com os outros, poucas são as confidências (e raras), e não é porque não tenho espaço, não é por causa das arestas, dos bloqueios. As pessoas me acham expressiva, comunicativa, forte (inclui-se dura e arrogante), mas o que acontece que essas são aparências e estados que se passam por fora (isso não siginifica que não também por dentro), mas não posso negar que há em mim um ser timido, mudo e sensível (põe extrema sensibilidade).
Preciso confessar: não é desfazendo dos ouvidos dos outros ,mas gosto tanto de conversasr comigo mesma, de me auto-confessar que a necessidade de ter um ouvinte, um outrem já se tornara mínima. Não é apologia à solidão e nem ao individualismo, me considero um ser social (ista) e coletivista, mas conversar e me acompanhar de mim já virou um culto.
Então queridas/os leitoras/es ("Se é que vocês existem"), quando não houver textos e nem posts atualizados... Isso não signifiga que sumi e nem que me faltam verbos, mas que me sobra silêncio.

P.S: Eu sempre abuso dos parênteses ( e muito!).

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

...

Estou numa estrada em que as idas são constantes, as voltas longas e demoradas. Mas sinto que aprenderei com o silêncio dos meus pensamentos. Tenho partido, renunciado há algumas coisas - compromissos e até gozos - e as partidas estão sendo retornos, como uma volta aos primórdios... a mim.
E nesses dias de tédio que construo para mim mesma, você é a única graça, o colorido da minha fotografia, o gris da escala de preto a branco. Nessa sexta-feira 13 minha sorte foi te (re) encontrar. Gata preta. Mulher-Gata. Minha Felina.
Se vivo é porque te sinto.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Caio Fernando Abreu

E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a
palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o
cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro
forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns.
Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não
enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes,
no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que
chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo
que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As
pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O
que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa
quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai
rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum
sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do
outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até
pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o
que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito
fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo
que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa
aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a
coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será
coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o
corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo.
Porque então você se ama também.

Terça-feira de primavera, 23 de setembro, e eu acordei com um verso de Caio F. Abreu na memória "[...]Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra[...]", foi o dia inteirinho com esse excerto em mente fresca,e junto comigo despertou tambpem meu amor (que estava adormecido) por esse fabuloso escritor, artista... homem!
De lá pra cá (e hoje fazem 8 dias) eu tenho lido e pensado bastante nos seus escritos. Se bem que nestes dias eu tenho andado 'tão down' e Caio, Los Hermanos e Céu (disco Amor e Òdio) tem alimentado esse meu estado de espírito.
Ando(não do verbo andar, mas no sentido de estar mesmo) absorta aqui no meu quarto, viajando entre letras e canções, escritos e melodias, linhas e entrelinhas (principalmente).

p.s: Adoro o texto a cima.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Surplus

Há tantas coisas que gostaria de postar: poesias, versos, músicas, textos, vídeos. Mas há uma aflta de disciplina, e porque não dizer preguiça, muito latente em mim. Penso, escrevo, mas dificilmente consigo pôr no blog. Bem, prometi para mim que me disciplianrei nesta atividade, até porque sou uma blogmaníaca (porém muito mais seguidora, do que blogger, rs)
Blablabla...
Gostaria de compartilhar com vocês um vídeo (que particulamente adoro). Continuando... Este é Surplus, um documentário produzido em 2003 pelo diretor Erik Gandini (sueco), mostra uma realidade cada vez mais aterrorizante que está totalmente banalizada nos dias de hoje. A de que nós, seres humanos, nos transformamos em uma máquina de consumo e ganância que está destruindo o mundo e o tornando cada vez mais afásico e amoral. Um colega de comunidade do orkut comentou outro dia "Por que alguns odeiam os que tem o previlégio de consumir?" (Risos, eu que ri). Não é ódio aos que tem o previlégio de consumir, afinal consumir é preciso, o assunto posto em debate é o estilo de vida consumista, consumidor(a) e consumista são posições totalmente diferentes.
Eu não vou escrever muito, afinal são 51 min de vídeo e eu quero que vocês tenham a oportunidade, paciência e atenção para assistir. Vale a pena. Surplus apesar de pessimista, nos mostra que devemos repensar algunss valores e tomarmos com urgência atitudes em defesa e preservação do meio ambiente.
Bom vídeo à todas!
Ah, não esqueçam: Se somos o que consumimos, então vamos consumir com mais comprometimento com o meio ambiente, optando por produtos e atividades mais ecológicas.

sábado, 22 de agosto de 2009

Lesbecause

Let me see se apre(e)ndi
A língua da mulher gay
Deixe-me ver se (ab)sorvi
O tal do verbo to say:
Seio you, seio me, seio we
Lesbecause let me see
Em junho tem happy day
Por causa das lesbianas
Agora sou poliglota
Lésbicas ou pubianas
Já não as acho idiotas
Os lábios roçam as bocas
As bocas parecem loucas
Sedentas, mudam de rotas
Por causa das lesbianas
Surge a visibilidade
Algumas moças insanas
Se exibem com vaidade
Fazem manifestação
Mostram peito e coração
Se alastram pela cidade
Por causa das lesbianas
As feministas ampliam
A pauta das veteranas
Sussurram, berram e miam
Dizem “mulher com mulher”
E já não dá jacaré
Como muitos presumiam
Por causa das lesbianas
As línguas se entrelaçam
As bocas se chamam xanas
As xanas se chamam rachas
As rachas se chamam girls
Garotas chupam freegels
Free girls chupam muchachas
Por causa das lesbianas
Na ponta da lingua vem
Umas palavras sacanas
E um jeito de querer bem
Um dedo de prosa boa
Uma mão boba, à toa
Que move como ninguém
Por causa das lesbianas
É feita a tal discussão
Se Marias vão com Anãs
Por que chamar sapatão?
Preconceito dê no pé!!
O chato é ter chulé
Amor não faz calo, não
Por causa das lesbianas
A luta por igualdade
Impõe teses mais humanas
Requer a diversidade
Só a sociedade viva
Não hetero-normativa
Permite a felicidade
Por causa das lesbianas
Fala-se de peito aberto
Bonecas de porcelana
Não se pode ver de perto
Quanta historia mal contada
Quanta mulher mal amada
Por causa “do jeito certo”
Por causa das lesbianas
La vulva! Esquerda! Volver!
Enganam-nos qual iguanas
Estranha e dócil: por quê?
“Tímida e espalhafatosa”
Exposta e misteriosa
Na seca aprende a chover
Por causa das lesbianas
Minh’arte usa outro tom
Qual as culturas ciganas
Que exibem múltiplo som
Profanamente sagradas
Linguagens são agregadas
Colando lábio e batom
Por causa das lesbianas
Nem só a cultura é oral
Abaixo as falas tiranas
“Pedra é pedra, pau é pau”
Não “é o fim do caminho”
Lesco-lesco e roçadinho
Sugerem outro final
Por causa das lesbianas
As “águas de março” vêm
Lavadas pelas baianas
Do jeito que só faz bem
No oito do mês de festa
Abra-se mais que uma fresta
Pra Ela falar também
Por causa das lesbianas
Escrevo mais um cordel
Dedicado às Fulanas
Com registro em papel
Exorto-as a amar
Bem como a comemorar
A vida embaixo do Céu
Em face da Lesbecause
Falo em direitos iguais
Não só pra mexer no mouse
(Mas pra fazer muito mais)
É que se fez nossa mão
Nossa boca e coração
Nossa língua e nossos ais
Em nome da causa delas
Façamos uma Parada
Pra expor nas janelas
Em letras arroxeadas:
Nenhum direito a mais!
A menos também jamais!
Esta é a grande sacada!
Autoria de Salete Maria, poeta cearense. (http://www.cordelirando.blogspot.com/)
p.s: Esse cordel era pra ser postado na semana da visibilidade lésbica, em comemoração ao dia 29 de agosto, portanto não me lembro o que houve que apenas ficou aqui salvo em rascunho. Entre uma futucada e outra aqui no blog eu encontrei-o, pois bem... postado! (01/10/20090